13.1.06

Biografia de Richard Strauss

Richard Strauss (1864-1949)

Biografia

Richard Strauss nasceu em Munique, Alemanha, no dia 11 de junho de 1864. O pai era um excelente músico, trompista da Ópera de Munique, e deu todos os meios para que o pequeno Richard, que já dava sinais de entusiasmo pela música, desenvolvesse seu talento. Inclusive, apesar de sua antipatia pela música de Wagner, levou o filho, quando este tinha 18 anos, para Bayreuth. Futuramente, a influência wagneriana, para desgosto do conservador pai, iria ser determinante para a música de Strauss.
Mas Richard ainda estava iniciando sua carreira. Compunha bastante, e suas primeiras obras recebiam boa acolhida, sendo inclusive regidas por importantes maestros, como Hermann Levi e Hans von Bülow. O último achou o jovem músico tão promissor que o contratou, em 1885, para ser seu assistente em Meiningen.
Em Meiningen, Strauss acabou conhecendo Alexander Ritter, o primeiro-violino da orquestra. Ritter era defensor do que se chamava, na época, de "música do futuro": os poemas sinfônicos de Liszt e o drama musical de Wagner, que tanto tinha impressionado Richard em sua passagem por Bayreuth. Strauss, através das influências de Bülow e do pai, seguia uma linha mais tradicional, mais ligada à música pura - o que é demonstrado claramente nas primeiras obras, de feição bastante mozartiana até. Depois da amizade com Ritter, a mudança seria total. O próprio Strauss confessaria mais tarde: "foi Ritter quem fez de mim um músico do futuro".

Foi então que Strauss começou a escrever algumas obras-primas no gênero que o tornaria famoso: o poema sinfônico. O primeiro foi Aus Italien, composto em 1886. Em seguida a ele viriam Don Juan, de 1888, Morte e transfiguração, de 1889, Till Eulenspiegel, de 1894, Assim falou Zaratustra, de 1895, Dom Quixote, de 1897, e Uma vida de herói, de 1898. Enquanto isso, compunha dezenas de lieder, outro dos gêneros a qual se dedicou.
Mas o sonho oculto de Strauss era o teatro: ele queria escrever uma ópera. A primeira tentativa se deu entre 1887 e 1893 e resultou em Guntram. A segunda foi feita em 1900, quando foi composta Feuersnot. Hoje, a crítica considera essas duas óperas meros ensaios, um tanto infrutíferos. O golpe de mestre só seria proferido em 1905, com a estréia da ópera Salomé.
Salomé, baseada em uma peça teatral de Oscar Wilde, foi o primeiro grande sucesso operístico de Strauss. Irmã desta seria a ópera Elektra, primeira colaboração com o libretista Hugo von Hofmannsthal, estreada em 1909.

Strauss parecia estar se tornando um "Wagner exasperado", nas palavras de Debussy, quando surpreendeu a todos com O cavaleiro da rosa, mais uma vez com libreto de Hoffmannstahl, estreada em 1911. A ópera, ambientada na galante Viena do século XVIII, é leve e luminosa: as semelhanças com Mozart seriam mais vezes lembradas pelos críticos. Obra totalmente diversoa em espírito das sombrias, muitas vezes cruentas, Salomé e Elektra. Outra mudança de rumo?
Sim. Em 1916, foi finalizada Ariadne auf Naxos; desta vez a referência não era o rococó, mas o barroco, que estava na moda. O contraste com Salomé não poderia ser maior - enquanto esta requeria uma orquestra gigantesca, com mais de cem músicos, Ariadne auf Naxos pede apenas um conjunto de câmara, de 35 músicos.

Enquanto isso, Strauss construía uma carreira invejável. Após inúmeros anos como diretor da Ópera Real de Berlim, em 1919 foi nomeado para a direção da Ópera de Viena, lá permanecendo por cinco anos. Além de reger e compor, não parava: em 1917, junto com Hoffmannsthal, ajudou a criar o Festival de Salzburgo, ao mesmo tempo em que organizava um sindicato de músicos.
Mas estava em uma entressafra composicional. Em 1915 terminou a Sinfonia Alpina, em que voltava ao universo dos poemas sinfônicos, mas combinado a um gênero mais "clássico". Em 1917, estreou a ópera A mulher sem sombra, que não atingiu o nível das obras anteriores.
O sucesso só viria novamente com a ópera Arabella, finalizada em 1932. O libreto ainda é do fiel Hoffmannsthal, que morreu sem ver a ópera composta. Arabella retoma a linha límpida de O cavaleiro da rosa, e inclusive presta homenagem às valsas de seu xará vienense mais famoso, Johann Strauss Jr.

Por essa época, o nazismo já era o regime na Alemanha, e Richard Strauss acabou se envolvendo, um tanto que ingenuamente, com o sistema. Aceitou ser o presidente da Câmara de Música do Reich e, apesar de ser demitido por Goebbels (insistiu em colocar o nome de seu libretista Stefan Zweig, um judeu, no cartaz da ópera A mulher silenciosa, que estreou em 1935), não foi mais incomodado pelos nazistas.

Pouco a pouco, Strauss foi se isolando em sua casa de campo em Gramisch. Sua carreira chegava ao fim. Mas ainda viveria mais dez anos, e estes nos dariam mais algumas obras-primas: a "meta-ópera" Capriccio, concertos (para oboé, o segundo para trompa), o poema sinfônico Metamorfoses, as Quatro últimas canções.

Com esta magistral coleção de lieder, Strauss dava adeus à vida. A última canção termina com uma comovente citação de uma obra de juventude, Morte e transfiguração. No dia 8 de setembro de 1949, morria Richard Strauss.

Obras

Richard Strauss, que nasceu enquanto Wagner erigia seu templo musical e enquanto Brahms escrevia suas obras-primas, morreu junto com Bartók e Schoenberg, dois grandes símbolos da modernidade vanguardista da primeira metade do século XX. E acabou não pertencendo a nenhuma das duas correntes.

É um artista de transição. Embora Strauss tenha se definido como um "músico do futuro" na juventude e assustado os críticos com as "cacofonias heterodoxas" de seus primeiros poemas sinfônicos, ao morrer era, perto de compositores como Stravinsky e até mesmo de contemporâneos como Debussy, um músico do século XIX. Como explicar essa contradição? Talvez a constatação seja a de que Strauss foi, principalmente, um compositor de juventude. Mas é uma observação injusta.

Richard Strauss tem quatro fases principais em sua carreira: a primeira, descontando-se as obras juvenis, "moderna" (pelo menos para sua época), dos poemas sinfônicos como Don Juan e Assim falou Zaratustra; a segunda, das "óperas sombrias" Salomé e Elektra; a terceira, das "óperas róseas" O cavaleiro da rosa e Ariadne auf Naxos; a última, com as últimas obras-primas, Metamorfoses e as Quatro últimas canções.

Todas as obras citadas são exemplos perfeitos dos três gêneros em que Strauss foi um mestre consumado: o poema sinfônico, a ópera e o lied. Excetuando-se as incursões que fez nos gêneros clássicos (as primeiras composições, a Sinfonia Doméstica, a Sinfonia Alpina, os concertos para oboé e trompa), estes foram os únicos gêneros que trabalhou.

Os Poemas Sinfônicos

Os poemas sinfônicos formam a parte mais querida pelo público da obra de Strauss. A grande parte deles foi composta entre 1886 e 1898, nos anos posteriores à estadia em Meiningen. Neles Strauss mostra-se um orquestrador de enorme estatura, do calibre de um Rimsky-Korsakov, de um Ravel. Como o maestro Sir Georg Solti gostava de exagerar, "em Strauss a orquestração é tão fantástica que até quando a música é mal tocada ela soa maravilhosamente bem".
Cada um dos poemas sinfônicos de Strauss é uma pequeno universo: Don Juan, mais próximo das obras similares de Liszt, evoca a imagem do mito; já Dom Quixote e Assim falou Zaratustra voltam-se mais ao modelo de Berlioz, com suas referências aos gêneros tradicionais (Dom Quixote, quase um concerto para violoncelo, Zaratustra, uma sinfonia heterodoxa); Till Eulenspiegel e Uma vida de herói contam uma história (na última obra, a do próprio compositor, e há citações dos outros poemas sinfônicos); Morte e transfiguração tem um caráter metafísico bastante ambicioso.

Muitas vezes, Strauss trabalha seus programáticos poemas sinfônicos em formas clássicas, mas expandidas: Till Eulenspiegel é um complexo rondó, Morte e transfiguração é uma forma-sonata bastante modificada.
O conjunto dos poemas sinfônicos de Strauss formam, certamente, o mais criativo e elaborado já composto no gênero, e estão entre as obras mais interessantes do compositor. São, certamente as mais queridas e executadas: todas elas estão no repertório usual das maiores orquestras do mundo.

As Operas

Strauss dedicou a maior parte de sua longa vida à ópera. Após algumas tentativas mal-sucedidas, ele acertou a mão em Salomé, sobre texto de Oscar Wilde. Sua temática bíblica, altamente simbólica (a dúvida de Salomé entre a corrupção de Herodes e a pureza de João Batista), aliada à música complexa, "dissonante", intensa, de forte carga dramática, fazem de Salomé uma ópera moderna e chocante ainda nos dias de hoje.
Elektra, a recriação do mito grego, é uma ópera da mesma extirpe. Juntamente com Salomé, ela forma o grupo das óperas straussianas "modernas", para os críticos as mais importantes do compositor e as primeiras grandes óperas do século XX. Elas estão bastante integradas aos primeiros poemas sinfônicos de Strauss: orquestração suntuosa, grande liberdade formal e temática, enorme força inventiva. Alguns teóricos enxergam as duas óperas como grandes poemas sinfônicos cantados.
Com O cavaleiro da rosa, depois com Ariadne auf Naxos, Arabella e Capriccio, Richard Strauss faria uma reviravolta: nada de estridências nem de complexas orquestrações. A referência aqui é o mundo suave da Viena oitocentista, das valsas, a atmosfera é de encantamento, de doçura, de nostalgia. Não são obras tão importantes historicamente quanto Salomé, mas elas têm muitos e fiéis defensores e estão até hoje no repertório das companhias de ópera no mundo inteiro.

Os Lieder

Richard Strauss também foi um grande compositor de canções. A maior parte dos 150 lieder que compôs se encontra em sua primeira fase de composição. São obras contemporâneas aos poemas sinfônicos. Algumas obras-primas desse período: Zeuignung, Ständchen, Ruhe meine Seele, Du meines Herzens Krönelein, Nichts, Schlechtes Wetter. A maior parte das canções, originalmente instrumentadas para piano e voz, seriam mais tarde orquestradas por Strauss.

Canções para orquestra são as magníficas Quatro últimas canções, compostas no final da vida do compositor - o epíteto "últimas" foi dado pelo próprio Strauss. O ciclo é uma deliberada despedida da vida, emocionante e meditativa. O últimos dos lieder traz reminiscências de um dos primeiros poemas sinfônicos, Morte e transfiguração. As Quatro últimas canções são, talvez, a obra mais profundamente bela do compositor: um comovente adeus.

7 Comments:

Blogger giovana said...

é muito interessante esseb site´por que vc aprende muitas coisas sobre pessoas importate que ja faleceram,e podemos saber as caracteristicas deles.Gostei muito parabens!!!

10:36 AM  
Blogger giovana said...

é bom,bom,bom,bom como é bom bom e estar contigo no meu coracaooooo
paraben para vcs que fez este site

11:47 AM  
Blogger giovana said...

eu sou tonta mesmo ta

11:48 AM  
Blogger farao said...

muito bom mesmo esse site. achei completo.

4:45 PM  
Blogger Momento Penelope Makeup said...

Este comentário foi removido pelo autor.

4:15 PM  
Blogger Maísa said...

Legal! Conheci várias obras de Strauss que eu não conhecia e a grande história de vida dele. O linguajar utilizad é culto de mais. No entanto foi muito bem elaborado. Muito bom :)
Sou fanática por compositores clássicos *--*

8:41 AM  
Blogger Maísa said...

Legal! Conheci várias obras de Strauss que eu não conhecia e a grande história de vida dele. O linguajar utilizad é culto de mais. No entanto foi muito bem elaborado. Muito bom :)
Sou fanática por compositores clássicos *--*

8:41 AM  

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